Gelatina e brometo de prata: pontapé inicial da fotografia moderna

© Palácio Belas Artes em São Francisco, 2002/ Placa original, Burke & James Press Camera, 1889

As transformações na produção de negativos e papéis fotográficos foram lentas durante a segunda metade do século XIX. Essa foi uma época de muitas invenções técnicas que surgiam a partir de pesquisas individuais. Eram, em sua maioria, homens que se dedicavam de forma amadora a descobrir e inventar processos. Alguns desses métodos, depois de patenteados, passavam a ser utilizados em diversos lugares do mundo. Durante muitas décadas, os longos e trabalhosos procedimentos técnicos imperavam, com o uso principalmente do Colódio Úmido. Na década de 1880, a situação se alterou: negativos e papéis fotográficos não eram mais produzidos de forma quase artesanal, mas podiam ser comprados no mercado. Essa primeira industrialização da fotografia começou a partir da invenção de Richard Maddox em 1871, os negativos chamados de placa seca, e com os aperfeiçoamentos realizados nesse processo por Charles Harper Bennett, em 1878. Essa placa emulsionada com sais de prata e gelatina,...

Leia mais

“Lentes da Memória”: entre fotografia e cinema

© Capa do livro “Lentes da Memória: a descoberta da fotografia de Alberto de Sampaio, 1888-1930”

“Lentes da Memória: a descoberta da fotografia de Alberto de Sampaio, 1888-1930” de Adriana Martins Pereira (Editora Bazar do Tempo) ficou em 3o lugar na categoria “Artes, Arquitetura e Fotografia” do Prêmio Jabuti de 2017. O livro trata da história de Alberto de Sampaio, advogado e fotógrafo amador que registrou por cerca de quarenta anos o Rio de Janeiro. Esse acervo, que ficou guardado intacto com os descendentes por quase cem anos, traz imagens únicas e particulares das transformações urbanas da então capital do pais, além de raros registros de família e equipamentos como câmeras e materiais do laboratório fotográfico desse amador. Em geral, essas fotografias se contrapõem ao rígido padrão das cenas realizadas em estúdios de profissionais. E, mesmo no caso dos registros urbanos, o olhar desse amador elencava diversos elementos do processo de modernização em curso, evidenciando inúmeras contradições, que nem sempre ficavam demarcadas pelas lentes dos profissionais...

Leia mais

Wim Wenders e a fotografia

© Paisagem / Wim Wenders

O cineasta alemão Wim Wenders realizou filmes, na década de 1970, que ganharam as telas do mundo como “O amigo americano” e “Paris, Texas”. Nessa época, Wenders registrava seus sets de filmagens e viagens com a então nova tecnologia difundida pela câmera Polaroid. Eram as fotografias que podiam ser reveladas instantaneamente, com formato específico e um colorido próprio, que mais tarde iria se transformar numa estética. Wenders conta que começou a utilizar a máquina nos anos 1960 como apenas um experimento e não estava preocupado em criar ou fazer arte. A máquina polaroid o fascinava porque na época era uma novidade, já que todo o processo convencional para produzir uma imagem ainda passava pelo laboratório fotográfico. A Polaroid foi realmente inovadora. Essa câmera produzia a verdadeira fotografia instantânea, pois após o clique, a imagem era impressa na hora, levando alguns segundos para ser revelada. A empresa lançou seu primeiro equipamento...

Leia mais

Os retratos de Malick Sidibé

Uma família na  motocicleta, 1962, Malick Sidibé / Galerie Magnin-A

Malick Sidibé (1936-2016) mantinha seu estúdio em Bamako, capital do Mali. Desse pequeno espaço, ele ficou conhecido no mundo inteiro a partir dos anos 1990, e foi o primeiro fotógrafo a ganhar o Leão de Ouro da Bienal de Veneza em 2007, pelo conjunto de sua obra. Sidibé documentou os anos pós independência do Mali, que havia sido uma colônia francesa até 1960, e a vida social que se formava na capital daquele país. As primeiras fotografias de Sidibé registravam festas e a vida noturna da cidade, e muitas dessas imagens eram realizadas quando ainda havia o toque de recolher. O fotógrafo percorria os lugares usando sua bicicleta para produzir cenas como a Christmas Eve, Happy Club de 1963. Nos anos 1970 Sidibé começou a fotografar em seu estúdio. Os retratos seguiam uma linguagem própria e eram marcados pela formalidade desses espaços. Suas imagens, no entanto, ressaltavam também a cultura...

Leia mais

Biblioteca Nacional abre as portas para exposição com acervo de D. Pedro II

© Fotografia da Esfinge de Gizé da Exposição “Uma viagem ao mundo antigo” – Divulgação

É de conhecimento de muitos historiadores e interessados pela história do Brasil que D. Pedro II era aficionado pela fotografia. Ele formou uma expressiva coleção formada por fotos adquiridas e outras realizadas por ele mesmo. Seu entusiasmo era tanto que ele comprava muitas fotografias durante suas viagens ao exterior e também fazia suas próprias tomadas. Parte desses registros foram doados à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, em 1889, numa coleção que levou o nome da esposa do Imperador, D. Thereza Christina Maria. Na Biblioteca Nacional, uma exposição traz parte desses registros centenários que estão na mostra “Uma viagem ao mundo antigo – Egito e Pompeia – nas fotografias da Coleção D. Thereza Christina Maria”. As 119 fotografias de viagens realizadas entre 1871 e 1888, pelo Imperador e sua comitiva, revelam um pouco dos interesses de D. Pedro II, que fazia verdadeiras expedições acompanhado por especialistas, os arqueólogos em suas primeiras...

Leia mais

O renascimento da técnica Tintype

© Fazenda em Santa Fé, Ian Ruhter / Popular Photography

Hoje é comum ter dezenas de fotos armazenadas em computadores e celulares por conta das facilidades que temos para produzir fotografias. Mas há aqueles que trabalham na contramão desse processo e utilizam técnicas antigas, ainda do século XIX, como o Tintype, buscando assim renovar sua produção de imagens nessa releitura técnica. Também chamada de Ferrótipo, o Tintype era como o antigo processo do Colódio Úmido, só que utilizava, como base da fotografia, uma folha de metal pintada em cores escuras – marrom ou preto. A técnica foi muito popular, principalmente, nos Estados Unidos, e tinha custo muito baixo para sua produção. Depois, foi praticamente esquecida até ser tornar novamente objeto de releitura. Atualmente, há muitos fotógrafos que procuram aprender o processo Tintype para empregá-lo em seus trabalhos autorais. É o caso de Ian Ruhter, Kari Orvik e Lisa Elmaleh que constroem sua linguagem fotográfica por meio do Tintype. Algumas das...

Leia mais

Prêmio Jabuti: Livro “Lentes da Memória” sobre o fotógrafo Alberto de Sampaio sai vencedor

© Alberto de Sampaio e filho em Petrópolis, c. 1905

O prêmio Jabuti é um dos prêmios mais importantes e tradicionais sobre livros no Brasil. Hoje, terça-feira, 31 de outubro, durante a 59o edição, foram revelados os vencedores em 29 categorias. Entre os vencedores está o livro sobre o fotógrafo Alberto de Sampaio que ficou em terceiro lugar na categoria “Arquitetura, Artes e Fotografia”.  Cerca de 2.460 livros concorriam em diferentes categorias, tendo duas novas categorias inseridas este ano que premiaram: Histórias em Quadrinhos e Livro brasileiro publicado no exterior. Cada vencedor recebe 3.500 reais e uma estatueta. Na categoria “Arquitetura, Artes e Fotografia” envolvendo o livro de Alberto de Sampaio a classificação ficou da seguinte maneira: 1. A Modernidade Impressa: Artistas Ilustradores da Livraria do Globo – Porto Alegre – Autor(a): Paula Ramos – Editora: Editora da UFRGS 2. Millôr: obra gráfica – Autor(a): Cássio Loredano, Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires – Editora: IMS 3. Lentes da Memória:...

Leia mais

O filme Polaroid 20×24 deixa de ser comercializado no final do ano

© Chuck Close fotografando Brad Pitt com a Polaroid em 2016/ Myrna Suarez

Está chegando ao fim a era de filmes instantâneos Polaroid 20×24 polegadas – que mede cerca de 50 x 60 centímetros. O único estúdio no mundo que ainda comercializa este filme anunciou que irá encerrar a venda do produto e o aluguel da câmera no final de 2017. O material conhecido e que fez grande sucesso da Polaroid foram as pequenas câmeras que permitiam a revelação quase imediata das fotografias, um trabalho executado pelo próprio equipamento que “imprimia” as imagens. Porém, a Polaroid também fabricou câmeras de grande formato e filmes próprios que passaram a ser utilizados em estúdios por uma série de importantes fotógrafos, como William Wegman, David Levinthal e Mary Ellen Mark. A qualidade da grande imagem era excepcional, além de poder ser revelada de forma instantânea. Dessa série de grandes equipamentos, ainda existem cinco câmeras de 20 x 24 polegadas no mundo e o filme passou a ser comercializado por...

Leia mais

As primeiras linhas de metrô do mundo

Construção do metrô em Nova York, 1939/ NY Daily News via Getty Images

A ideia de construir linhas de trem subterrâneas surgiu na Inglaterra na década de 1850, quando o transporte pelas ruas dessa cidade já era caótico. Carroças e cavalos se misturavam em meio à população de quase três milhões de habitantes, na urbe que primeiro havia passado pela industrialização. O espaço urbano não estava preparado para abrigar aquela quantidade de pessoas e os principais serviços públicos eram muito precários. Com os transportes não seria diferente. Para tentar resolver o problema, surgiu a ideia inusitada de colocar trens abaixo da terra, o que assustou a população. Pela imprensa se espalharam temores de que Londres pudesse “afundar”. Mas não foi isso o que aconteceu. As obras foram iniciadas em 1860 e demoraram três anos para ficar prontas. Sem tecnologias avançadas, era preciso evitar grandes perfurações, por isso, todas as linhas seguiam o traçado das ruas. Dos seis quilômetros iniciais, logo depois seriam inauguradas...

Leia mais

Antes e depois: jornalista recria cenas de filmes antigos

Cary Grant em Intriga Internacional (1959) de Alfred Hitchcock

Comparar cenários antigos com a conjuntura atual é algo que chama atenção porque permite observar mudanças ocorridas em determinada região ou edificação, ao longo dos anos. Mas imagine como seria pegar retratos de filmes antigos e colocá-los exatamente onde foram filmados? Essa foi a ideia de Christopher Moloney, um jornalista e fotógrafo canadense que recriou diversas cenas de filmes antigos, e até mesmo de alguns contemporâneos, em imagens que ele passou a publicar no projeto criado em 2012, que leva o nome de “FILMography”. Suas fotos foram amplamente divulgadas ao redor do mundo tornando o fotógrafo popular. As cenas estamparam páginas de muitas revistas importantes e duas exposições foram organizadas nos conceituados festivais de Cannes e Ischia. São mais de 200 imagens recriadas ao redor da cidade de Nova York sobre filmes como Bonequinha de Luxo, Annie Hall, Ghost – do outro lado da vida, Fuga à Meia-Noite e muitos...

Leia mais