Alberto de Sampaio

Alberto de Sampaio foi advogado e pioneiro fotógrafo amador brasileiro que nos deixou registros singulares das cidades do Rio de Janeiro e de Petrópolis na passagem do século XIX ao XX.

Nascido em 1870 numa família abastada, tinha como hobbies a poesia, a pintura e a fotografia, paixão que exerceu até um ano antes de sua morte, em 1931.

Iniciado na fotografia em 1888, aos 18 anos, teve seu período de maior atividade entre 1905 e 1914. Alberto seguia a corrente dominante da fotografia amadora à época que, ao valorizar fotos abstratas e desfocadas, pretendia sugerir ao espectador questões subjetivas. A natureza intocada constituía a temática predileta daqueles amadores. Mas havia ainda as inovações técnicas e o uso da fotografia como simples diversão, algo que Alberto soube explorar nos registros da sua família e nas cenas do Rio de Janeiro.

Suas fotografias documentam o Rio de Janeiro, nossa então capital, que se modernizava a partir do período do prefeito Pereira Passos (1902-1906). São retratos de um tempo de celebrações e de projetos para o futuro, em que deixava-se para trás certo passado da cidade. Cenas memoráveis, com praias cariocas ainda desertas e ruas por onde circulavam os primeiros automóveis.

Fotógrafo apaixonado e dedicado, Alberto acompanhou os avanços da tecnologia da época. Utilizou grandes câmeras de madeira como a Perken, Son & Rayment (fabricada entre 1892 e 1899) e versões mais modernas como a The Sanderson e a Folding Pocket Kodak (ambas fabricadas em 1904), precursoras da fotografia pessoal.

Lentes da memória

O Centro Cultural Correios no Rio de Janeiro recebe até 4 de dezembro de 2016 a exposição do acervo do fotógrafo amador Alberto de Sampaio “Lentes da Memória: A Descoberta da Fotografia de Alberto de Sampaio 1888-1930”, que conta com diversos recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Clique para saber mais.

Saiba Mais

Quem Somos

As imagens, correspondências, revistas e equipamentos de Alberto de Sampaio estão sendo reunidos e recuperados para preservar a memória desse apaixonado amador e das cidades em que ele viveu e trabalhou. Ele foi um dos pioneiros da fotografia brasileira.

Por meio de sua paixão pela fotografia, Alberto de Sampaio preservou parte inestimável da memória visual do Rio de Janeiro nos primeiros anos do século XX.

As fotografias, algumas com mais de 125 anos, estão sendo preservadas e digitalizadas, e serão expostas no Rio de Janeiro – cidade que Alberto registrou ao longo de 40 anos. Acompanhe nosso blog e nossos perfis no Facebook e Instagram para mais informações.

A descoberta

O acervo de Alberto de Sampaio foi redescoberto pela pesquisadora Adriana Maria Martins Pereira em 1999 quando, ao fazer um curso no fotoclube Sociedade Petropolitana de Fotografia (Sopef), teve contato com uma extensa coleção de imagens, negativos e câmeras de Alberto, doada à entidade pelo neto do fotógrafo, Eduardo Soares de Sampaio Filho, em 1985.

Após uma pesquisa inicial, Adriana entrou em contato com os descendentes de Alberto, que lhe apresentaram um grande volume de materiais entre fotos e equipamentos, além de cartas, álbuns, livros, mapas e cartões postais. A partir de 2002 a história do fotógrafo e seu acervo tornaram-se em temas da dissertação de mestrado e tese de doutorado de Adriana, e os próximos oito anos foram dedicados a recompor a história da fotografia amadora no Brasil, em seus anos iniciais, por meio da coleção de Alberto de Sampaio. Em 2013 foi iniciado o processo de recomposição e preservação do acervo original, patrocinado pela empresa Unipar Carbocloro, para preparar o material para divulgação, coordenado por Adriana.

Acesse a tese de doutorado “A cultura amadora na virada do século XIX: a fotografia de Alberto de Sampaio” e reportagem publicada por Adriana na Revista de História.

Adriana Martins Pereira é arquiteta pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).

O acervo

O acervo completo de Alberto de Sampaio conta com mais de 2.500 imagens que imortalizam a Belle Époque no Brasil e retratam aspectos únicos do Rio de Janeiro – capital federal até 1960 – e de Petrópolis. Esse raro conjunto de documentos, que inclui álbuns, câmeras fotográficas, negativos, cartas, livros, mapas e cartões postais – material que resistiu por quase um século – agora está sendo preservado e digitalizado.